Krudd Torunn

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Bio:

História:
Apesar de tanto tempo, lembro como se fosse ontem. Para você, jovem amigo, deve parecer difícil, eu sei, talvez até impossível. Eu entendo que para vocês humanos é difícil imaginar uma lembrança que perpetue no tempo durante 126 anos. Mas para nós, anões, cada momento é guardado com total afinco. E você verá que essa lembrança justifica na memória.
Minha origem remonta desde minha vida com meu clã, os Torunn, nas minas de escavação que avançam abaixo das Montanhas Galena. Lá eu nasci e fui criado por meus pais mas logo a vida entediante e repetitiva de escavador ou ferreiro, as únicas possibilidades, me impeliram a sair de casa em busca da minha própria vida. Meus pais teriam um futuro longo e próspero pela frente.
Após vagar pelo norte do Moonsea conheci uma bela anã em Melvaunt com as mais belas tranças que eu já conheci. Como aquela mulher era linda. Me conquistou rapidamente e logo eu já não tinha mais um destino a não ser o dela. Assim como eu, Berta havia fugido de uma vida monótona a qual não pertencia. É fácil para você imaginar que logo nos casamos, e iniciamos uma vida juntos.
Com meus anos de viagem eu consegui adquirir uma boa experiência como guerreiro e logo comecei a trabalhar como um mercenário na própria cidade de Melvaunt, já que oportunidades não faltavam. Foram anos prósperos, com muito trabalho tanto para mim quanto para Berta.
Logo vieram as crianças, e como uma casa se enche de vida com crianças. Dois, gêmeos, pro meu desespero! Skaldor e Skalli. Quanto trabalho nos davam, sabe. Eu via muito de mim neles. Indomáveis e aventureiros, sempre em busca de novos lugares, novas pessoas, até que algo ou alguém os prendesse. Mas os deuses, meu amigo, tinham planos maiores para mim e para a minha família. Para o meu pesar.
Meu último trabalho como mercenário foi prestando serviços como guarda costas de um velho nobre de Melvaunt, conhecido pelos demais como reservado e estranho. Mas, como eu não podia recusar dinheiro, aceitei o serviço. Durante os primeiros 8 dias o serviço se mostrou ser algo normal. Acompanhá-lo em suas saídas pela cidade, guardar sua casa, seus pertences. Porém, no 9º dia de trabalho as coisas mudaram.
Após uma ida ao centro de Melvaunt para algumas compras e um encontro com um amigo misterioso, voltamos para a mansão de Dalent e eu estava fazendo minha ronda na casa, como de costume. Até que ouvi sons estanhos vindos do porão. Com medo de que algo pudesse ter acontecido com Dalent, corri rapidamente em direção dos sons.
Ao chegar lá, me deparei com uma cena que nunca havia visto antes: seres saindo de dentro de um espelho fixado na parede do porão. Meus pés vacilaram ao ver as criaturas, que pareciam ter saído de outro mundo, adentrando no porão, junto com Dalent. Antes que pudesse reagir, ouvi algumas palavras estranhas e logo percebi que o que paralisava meus pés não eram mais a minha mente e sim um brilho roxo que cobria todo o meu corpo, me impedindo de tomar qualquer ação naquele instante.
Logo fui desarmado e amarrado pelas criaturas, que me jogaram no canto do porão. Logo percebi que Dalent não estava em perigo, e sim eu. Um humanoide, coberto por um capuz negro, que havia saído de dentro do espelho começou a conversar com Dalent em um idioma do qual eu nada compreendia. Em um dado momento ele apontou para mim, com a voz alterada e, pelo que se sucedeu, Dalent teve a solução para os problemas.
Ambos começaram a entoar um cântico sombrio para mim, apesar de não compreender uma palavra do que diziam. Após terminarem o cântico, eles me desamarraram e me jogaram meus armamentos de volta. No mesmo instante eu senti uma necessidade enorme de ir para casa buscar Berta e os meninos para que pudessem ver o que estava acontecendo no porão. E sem pestanejar foi o que eu fiz. Fui até em casa e os trouxe até o porão da mansão do nobre.
Ao chegar lá, tanto Dalent quanto a outra figura estavam à minha espera. As criaturas estranhas haviam desaparecido (possivelmente voltado para dentro do espelho). Assim que eu me aproximei dos dois, com meus filhos e minha esposa, um arrepio tomou conta de mim. Um suor frio começou a escorrer de minha testa e foi então que percebi o que estava acontecendo. O meu corpo empunhou minha espada e desferiu um golpe único e certeiro no coração de Berta. A minha linda Berta.
Eu não estava mais controlando o meu corpo e só ao sentir o sangue quente de minha esposa escorrendo por minhas mãos que eu pude perceber. Seus olhos se fixaram nos meus, com uma mistura de medo e incredulidade, para logo depois se tornarem dispersos e sem vida. E você acha que foi só isso? Para o meu tormento, não. Após a morte de Berta os meninos começaram a gritar e chorar. Skalli foi o primeiro a correr de encontro ao corpo sem vida da minha Berta. E para o meu pesar, a maldade ainda não havia terminado.
Assim como o meu corpo atacou Berta, ele atacou e assassinou Skalli e Skaldor, meus meninos. Com um gesto do ser encapuzado, eu consegui ver a alma de meus meninos e de Berta sair de seus corpos e entrar no espelho, para nunca mais serem vistos. Com um segundo aceno de mão, eu apaguei. Quando acordei, estava em casa, com sons de batidas à minha porta. Levantei-me às pressas e corri para a cama à procura de meus filhos e minha esposa. Com a pequena fagulha de esperança de ter sido apenas um sonho ruim. Porém o som da porta sendo arrombada foi exatamente o som da realidade batendo em mim, como um soco bem na boca do estômago.
À porta eram guardas da cidade, avisados por Dalent de que eu havia cometido múltiplo assassinatos e estava com os corpos em casa. Fui preso e sentenciado à eternidade dentro de uma cela, remoendo meu pesar. Após alguns meses, em 1357DR eu consegui entender exatamente o que havia acontecido: tudo não passava de um ritual para alimentar o Poço das Sombras e aumentar os poderes de Bane. E por isso minha vida acabou. Perdi tudo o que eu mais prezava no mundo. Cheguei a achar que não existia mais motivos para existir.
Até que, por intermédio de Tymora ou pelo chamado de Tyr, eu fui encontrado pela pessoa que eu menos esperava encontrar. Ebryn Sige, um clérigo de Tyr, da facção Order of the Gauntlet, ficou sabendo de minha existência e por algum motivo, que até hoje eu não entendo, resolveu me ajudar. Talvez por pena… Após apelar para um de seus amigos, um dos Lords do conselho de Melvaunt, Ebryn conseguiu me liberar da prisão após 97 anos encarcerado. E esses anos deixam marcas, como você bem pode ver!
Após ser liberto, fisicamente, Ebryn me libertou espiritualmente de mim mesmo. Ele me ensinou a canalizar toda a minha raiva e toda a minha vontade de vingança no serviço a Tyr. Após alguns anos de treinamento, Tyr me deu a oportunidade de ser um de seus arautos da justiça. Hoje, junto da Order of the Gauntlet, eu levo a justiça de Tyr a todos que necessitam dela.
Minha primeira missão com paladino de Tyr da Ordem é seguir para Phlan encontrar um gnomo das florestas chamado Gimble.

Krudd Torunn

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